sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Noite


Era uma vez uma menina que vivia no mundo real, levando uma vida considerada normal em um mundo comum. Um dia um bichinho do amor a picou e ela ficou totalmente apaixonada. Via o mundo cor-de-rosa e achava que tudo era felicidade. Resolveu se entregar fundo àquele amor, e foi totalmente verdadeira, verdadeira por demais. Contou tudo o que sentia, e acuado o amado se afastou.
Com vergonha do mundo, a menina foi se esconder numa caverna dentro da escura floresta, e lá dentro se acostumou com o frio e a solidão. Não sabia mais o que era calor, o que era braço. Tinha medo do amor.
Um dia um jovem caçador, passando pela redondeza, viu a menina e se espantou. Ela tinha uma aparência triste, abatida: cabelos desgrenhados, olheiras enormes, roupas sujas; porém no fundo ele viu uma beleza singular e foi perguntar o porquê daquele pequeno ser se encontrar ali. Com medo do caçador, que irradiava calor, pois vinha do contado com o sol, a menina adentrou mais ainda a caverna, querendo se proteger. Não contava ela com o poder de insistência do homem, que entrou também e continuou a perguntar. Com medo daquele intruso, a menina choramingou e com um abraço acolhedor o caçador a acalmou como ninguém nunca havia feito.
No abraço ela sentiu o calor novamente e o frio que a cercava foi indo embora, assim como ela foi saindo da caverna, sem nem mesmo entender como tudo aquilo estava acontecendo. Lá fora ficaram caçador e menina abraçados, e abraçados ficaram até o anoitecer.
Quando a lua chegou ao céu, a menina então pensou que todo aquele calor iria embora com o sol e que sua frieza viria com a lua. Abaixou a cabeça e se direcionou ao interior da caverna, que tinha sido sua moradia durante todo esse tempo. Quase com os pés dentro da gruta, o caçador pegou a sua mão e a virou, apontando pro céu: lá em cima, passou uma estrela cadente, e com ela uma luz enorme se projetou no rosto da nossa menininha. Ela recebeu luz e inacreditavelmente percebeu que emitia calor novamente: o calor vinha todo do seu coração.
Ambos sorriram e a cada sorriso aumentava o calor. Agora saiam faíscas dos seus corpos, e aquilo só os divertia. As faíscas atingiram alguns ramos próximos e aos poucos o que era somente calor corporal passou a chama, que formou um incêndio na floresta.
Tudo era fogo e risos, e mesmo com o desespero dos animais, menina e caçador ficaram ali, no meio das labaredas, somente os dois, ainda rindo, ainda em chamas, ainda vivos.


Mah

5 comentários:

Jéssica disse...

Porque o começo dessa história lembra um passado obscuro, de uma menina apaixonante, que NÃO DEVE voltar *-*

gan.griu disse...

haja fogo no rabo...

Tânia disse...

Pois é.. até mesmo no amor, que é o sentimento mais PURO do mundo voce não pode ser completamente sincera.. as pessoas se afastam e voce fica sózinha. Ainda bem q a menininha encontrou o caçador.

beijo

Velvet Lovett disse...

e a primeira impressao nem sempre é a que fica...

to te seguindo

bjins

Marcos Lima disse...

Bons textos têm a capacidade de nos transportar pro mundo onde a história se passa. Foi assim que eu me senti lendo esse.
Parabéns, Mah

No final o fogo sempre nos consome!

Beijos ;*